terça-feira, 16 de agosto de 2011

alguém em algum tapete em algum lugar.


Ele estava lá, só, em seu pequeno apartamento. Era algo entre as oito e sete ou quatro para as duas, eu não sei, ele não sabe e isso não importa. Praticava a sua mania de ficar no escuro usando óculos escuros só porque batia um vento sul. Seu masso de cigarro também estava lá, um Marlboro Light ou um Luck Strike vermelho, dependendo muito de seu humor. Havia também um sofá, mas ele preferia a cadeira de praia. Todos os seus livros ainda estavam encaixotados embaixo de uma mesa. A televisão não o atraia, o computador não o atraia e os bares do bairro também não o atraiam. Então ele ficava lá. Pensou em escrever uma carta para os pais, mas desistiu. Pensou em se masturbar, mas desistiu. Pensou em salvar o mundo, mas desistiu. E ele ficou lá, por horas e mais horas. Pensando em tudo e desistindo de tudo. O conforto do seu cigarro, da sua cerveja, da sua cadeira de praia, isso era tudo que ele precisava. Seu cigarro caiu e queimou o tapete. Sua cerveja caiu e molhou o tapete. Ele caiu, e resolveu ficar, ali, no tapete. Se o mundo acabasse, ele ia estar ali junto ao seu álcool, a sua nicotina e ao seu tapete. Ali não havia amor, não havia angústia, não havia alegria, não havia tristeza. Ali existe alguém, em um tapete manchado de cerveja e queimado de cigarro. Para todo o resto do mundo, ali não havia nada. Mas para um alguém, ali existe paz.


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